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Mitos de maré

Cinco histórias antigas com cheiro a sal, contadas em poucas linhas — do tamanho certo para ler entre dois mergulhos. No fim de cada uma dizemos-te onde a encontras nos jogos.

Poseidon, Atena e a cidade sem nome

Na Acrópole, à vista do mar

Houve um tempo em que a cidade mais famosa da Grécia ainda não tinha padroeiro, e dois deuses a queriam. Combinou-se um concurso: cada um ofereceria um presente e ficava com a cidade quem desse o melhor.

Poseidon foi o primeiro. Bateu com o tridente na rocha da Acrópole e dela brotou uma nascente — só que de água salgada, bonita de ver e impossível de beber. Atena, mais discreta, plantou uma oliveira: sombra, azeitonas, azeite e madeira numa só árvore. Ganhou a deusa, e a cidade passou a chamar-se Atenas.

Poseidon não levou a derrota com espírito desportivo: conta-se que, zangado, inundou a planície ali ao lado. Os atenienses, pelo sim pelo não, continuaram a prestar culto aos dois.

Criando Poseidon: personagem de tridente montada numa baleia

Onde o encontras nos jogos

O tridente é a estrela de Criando Poseidon: RPG Ocioso: é com ele que o teu herói abre caminho pelo fundo do mar. Nascentes salgadas não prometemos.

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O raio de Zeus

Do Tártaro ao cimo do Olimpo

Antes de mandar no céu, Zeus teve de o conquistar. O pai, o titã Crono, engolia os filhos à nascença com medo de ser destronado; Zeus escapou, cresceu escondido em Creta e voltou para libertar os irmãos. Seguiu-se uma guerra de dez anos entre os deuses novos e os Titãs.

O que desempatou a contenda foi um presente. Zeus desceu ao Tártaro e soltou os Ciclopes, três ferreiros gigantes de um olho só. Agradecidos, forjaram-lhe o raio; a Poseidon deram o tridente e a Hades um elmo que o tornava invisível.

Com armas assim, a guerra acabou depressa. Os três irmãos dividiram então o mundo: o céu para Zeus, o mar para Poseidon, o reino dos mortos para Hades. A terra e o Olimpo ficaram de todos — o que explica muita discussão em família.

Jewel Legends Of Olympus: pequenos Zeus a disparar raios no tabuleiro

Onde o encontras nos jogos

Em Jewel Legends Of Olympus, o raio vem em versão de bolso: uns Zeus pequeninos de barba branca que limpam joias do tabuleiro à força de relâmpagos.

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Os doze trabalhos de Hércules

Por toda a Grécia e mais além

Hércules — Héracles, para os gregos — era filho de Zeus e o homem mais forte do mundo, o que não o livrou de uma grande desgraça. Para a expiar, o oráculo de Delfos mandou-o servir o rei Euristeu, que lhe foi encomendando tarefas pensadas para serem impossíveis.

Ele fê-las todas. Venceu o leão de Nemeia, cuja pele nenhuma arma furava, e passou a usá-la como capa. Derrotou a Hidra de Lerna, a quem nasciam duas cabeças por cada uma cortada. Limpou num só dia os estábulos do rei Áugias, desviando dois rios para lá dentro. Foi ao fim do mundo buscar as maçãs de ouro das Hespérides e, no último trabalho, desceu ao reino dos mortos e trouxe à superfície Cérbero, o cão de três cabeças.

Eram para ser dez; Euristeu não quis contar dois e a lista subiu para doze. Vários obrigaram o herói a atravessar o mar — razão suficiente para o termos na nossa praia.

12 Labours of Hercules: nível numa gruta sombria com uma caveira gigante

Onde o encontras nos jogos

12 Labours of Hercules pega no nome e conta a sua própria versão: o herói procura a mulher raptada e cada nível é um pequeno trabalho de limpar caminhos e juntar recursos.

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Ulisses e o canto das Sereias

Algures no caminho para Ítaca

De regresso da guerra de Troia, Ulisses tinha de passar pela ilha das Sereias. Esquece a cauda de peixe: as Sereias gregas eram metade mulher, metade ave, e cantavam tão bem que os marinheiros largavam os remos para as ouvir — e nunca mais voltavam para casa.

A feiticeira Circe tinha-lhe ensinado o truque. Ulisses amassou cera de abelha e tapou com ela os ouvidos da tripulação. Ele, curioso como sempre, quis ouvir: mandou que o amarrassem ao mastro e que, por mais que pedisse, ninguém o soltasse.

Assim foi. Quando o canto começou, Ulisses implorou que o desamarrassem; os companheiros, surdos, remaram com mais força e ainda lhe apertaram os nós. O navio passou, e ele ficou a ser o único homem a ter ouvido as Sereias e a poder contá-lo.

12 Labours of Hercules: ilha com palmeiras e um navio ao largo

Onde o encontras nos jogos

Sejamos honestos: não vimos Sereias em nenhum dos três. O que mais se aproxima é o navio que espera ao largo da ilha em 12 Labours of Hercules — bom ponto de partida para imaginares o resto.

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Aríon e o golfinho

Entre a Sicília e o cabo Ténaro

Aríon era o melhor músico do seu tempo e vivia na corte de Corinto. Depois de uma digressão pela Sicília que o deixou rico, embarcou de volta a casa — e a tripulação, de olho no ouro, decidiu atirá-lo borda fora.

Aríon pediu um último desejo: cantar mais uma vez. Vestiu o traje de cerimónia, subiu à popa, tocou a sua lira e saltou para o mar. Mas a música tinha atraído um grupo de golfinhos, e um deles levou-o às costas até terra firme, no cabo Ténaro.

Quando os marinheiros chegaram a Corinto e juraram que o músico ficara em Itália, de boa saúde, Aríon apareceu-lhes à frente, com a mesma roupa com que tinha saltado. Quem conta a história é Heródoto, que garante ter existido no cabo uma pequena estátua de bronze de um homem montado num golfinho.

Criando Poseidon: pinguim, cavalo-marinho e medusa como mascotes

Onde o encontras nos jogos

Bichos do mar que dão boleia e ajudam nas horas difíceis são a especialidade de Criando Poseidon: RPG Ocioso: há heróis montados em baleias e mascotes que crescem contigo.

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